Dee Snider está lançando um disco baseado em músicas da Broadway. Pode
parecer estranho num primeiro momento mas, pensando melhor, faz sentido. Quando
criança, ele cantou no coro da igreja e em festas da escola. Com o tempo,
fundiu suas qualidades vocais com um visual extravagante e uma postura teatral,
que aprimorou no Twisted Sister. Então, quando você o imagina cantando temas de
musicais com uma abordagem Heavy Metal, até que não parece estranho.
A noticia de que você estaria lançando um disco chamado Dee Does
Broadway surpreendeu muita gente...
Dee Snider: Vou ser totalmente franco: eu agradeço cada comentário a
respeito, até os negativos.
Mas você sabe que seus fãs mais ardorosos podem não gostar de vê-lo
cantando esse tipo de música.
Dee Snider: Sim, sabia que poderia haver reações negativas, mas eu
estava num momento em que queria muito me desafiar e fazer algo que me
satisfazesse. E muita gente abraçou a idéia comigo, até mesmo porque eu não
tinha um grande orçamento para fazer o disco, ou seja, quem está lá é porque se
interessou de verdade pelo projeto.
Você cantou em corais na escola e chegou a participar de competições
quando menio, certo?
Dee Snider: Eu cresci cantando em corais, na igreja e na escola, e sempre
que tinha alguma festa de talentos participava cantando. Meus pais adoravam
musicais de um modeo geral e acho que eles só se sentiram verdadeiramente
orgulhosos de mim quando estrelei o musical ‘Rock Of Ages’ na Broadway. Não e
brincadeira, é serio! Aos 80 anos de idade eles não conseguiam entender
claramente o que é ser cantor de Rock, mas sabem muito bem o que é um musical
da Broadway e foi um orgulho para eles ver o nome do filho nos luminosos. Mas o
que eu queria dizer é que eles me levaram regulamente para assistir musicais,
então eu cresci com isso, não é uma coisa nova para mim. E eu percebia que
tinha música muito boa ali, sentia poder daquelas músicas, algo que a gente identifica
no Rock, também.
Pelo que sabemos, você trocou algumas mensagens cantadas com Alice
Cooper e isso levou você a ter idéia do disco. Foi isso mesmo?
Dee Snider: Exatamente isso! Eu conheço Alice há anos e ele me convidou
para cantar num evento beneficente que promove todos os anos na época do Natal.
Então, começamos a deixar mensagens um para o outro na secretaria eletrônica para
combinar os detalhes, e não sei bem quem começou, acho que foi Alice, mas num
determinado momento as mensagens passaram a ser cantadas. Ele deixava um recado
e eu respondia (cantando): “Ei, Ali-ce, por favor, ligueeee para miiiiim!” (risos)
No fim, eu falei para ele: ‘ Cara, precisamos fazer um disco assim !’

Você chegou a propor para Alice que fizessem o disco juntos?
Dee Snider: Na verdade, no meu caso a idéia de fazer um disco assim era
apenas pelo fato de eu ser um fã do gênero. Mas ele sempre fez esse gênero
teatral, então ele era a opção óbvia para fazer algo assim.
Até onde vocês levaram adiante a idéia de fazerem o disco juntos?
Dee Snider: Chegamos a fazer uma demo para a Música Luck Be A Lady
Tonight que ficou muito boa. Mas ai começaram os problemas de agenda. Quando falei
com ele novamente sobre assunto, depois de um tempo, ele disse: ‘Que saber? Não
sei se isso vai dar pra mim.’ Eu respondi que estava determinado a fazer e ele
respondeu ‘Vai firme! Deus abençoe.’
Quando estava trabalhando nas músicas, você já pensava no tipo de
arranjo que cada uma recebia?
Dee Snider: a principal questão em relação a isso é que eu não queria
que soassem necessariamente como canções de Rock. Você pode colocar guitarras
pesadas em musicais como ‘Jesus Christ Superstar’ ou ‘Rocky Horror Show’, não
há dificuldade nenhuma nisso. Os temas desses musicais eram Rocks desde o
inicio. No meu caso, não. Queria arranjos com orquestra. Queria também que
houvesse uma banda de Rock, mas as partes orquestrais iam ser mais importantes.
Queria elementos de Rock e de Música Clássica...
Dee Snider: Queria misturar essas duas coisas! Músicas como the Ballad
Of Sweeney eu já imaginava com aqueles arranjos de metais à la Broadway. Conseguia
ouvir um baixo rebacão acompanhando essa música. E quando eu comecei a pensar
em quem poderia me ajudar a fazer isso, o nome de Bob Kulick vei imediatamente
à minha mente. Trabalhei com ele no passado e mais recentemente no disco
SIN-atra. Ele é um sujeito que sabe como ninguém misturar orquestrações e uma
banda de Rock. Falei com ele, que adorou a idéia. Ele chamou Brett Chassen, que
coproduziu o disco e tocou bateria.
Há muitos duetos no disco. Como surgiu essa idéia?
Dee Snider: Na idéia original, esse seria um disco de duetos com Alice
Cooper. Como ele não pôde participar, imaginei fazer um disco solo. Mas ai lembrei
de minha participação no musical ‘Rock Of Ages’ e fiquei pensando como seria
legal se trouxesse alguns cantores da própria Broasway para participar. E como
eu estava fazendo parte do grupo da Broadway, ficava tudo mais fácil. A
primeira pessoa que convidei foi Bebe Neuwirth (atriz e cantora bastante
popular nos EUA). Imaginei como seria legal se ela participasse de Whatever
Lola Want e levei a música a ela imaginando que ela pediria um tempo para
pensar. Só que ela concordou na hora, ela adorou a música!
Já a música Big Spender tem participação de Cyndi Lauper. Como se deu
esse contato?
Dee Snider: Conheço Cyndi Lauper há muito tempo, desde que ela cantava
em clubes em Long Island. Não tínhamos intimidade, mas nos conhecíamos. Mandei
a música para ela, disse que achava sua voz perfeita para aquele tema e ela
respondeu na hora: ‘Pode conta comigo, estou dentro!’
Você estava em todas as sessões que os convidados gravaram?
Dee Snider: Eles são todos de Nova York e eu me senti na obrigação de
estar presente em todas as gravações. Minhas partes já estavam todas gravadas,
mas você nuca sabe se vai precisar corrigir ou mudar alguma coisa. Então,
estava lá em todas as gravações.
Você chegou a conhecer Bobby Darian ou Frank Sinatra?
Dee Snider: Não, infelizmente. Tem um cantor que eu não colocaria na mesma categoria que eles,
mas que também é espetacular, que eu conheci: Barry Manilow foi me assistir em
Las Vegas e depois quis me conhecer. Eu estava fazendo um show logo depois dele
no Elvis Presley Theater e ele ficou para me ver. Ele dançou o tempo todo...
Verdade, não estou brincando! Ele mandava as pessoas levantarem das cadeiras
para dançar! Depois do show wlw mW procurou, me deu um beijo no rosto e disse: ‘Poucas
pessoas dominam um palco como Elvis fazia. Você é uma delas.’ Então, é aquela
historia... Eu não estou atrás da aprovação de artistas como Barry Manilow ou
Bebe Neuwirth, mas é ótimo ver que eles o respeitam e que você pode se
reconhecido por algo que não seja We’re Not Gonna Take It.
Por falar nisso , o Metal e o Rock em geral mudaram muito desde que você
começou a cantar com o Twisted Sister. Quais as principais mudanças, na sua
opinião?
Dee Snider: Há muitas bandas ótimas hoje em dia que você não entende
como ainda não estouraram. São bandas que tocam em nichos, sempre no
underground. Minha filha toca numa banda de Post Hardocore e costuma ir direto
a shows do gênero, sempre em pequenos clubes que estão sempre lotados por fãs
ávidos. Ai, você se pergunta: Será que esse show um dia vai acontecer num
estádio ou num ginásio? Como você transforma essa garotada num novo Metallica?
Ai, você fica se perguntando até ponto ainda tem gente realmente interessada
num bom Rock...
POR: Steven Rosen
FONTE: Entrevista publicada originalmente na revista Roadie Creaw n° 161


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