domingo, 29 de julho de 2012

Dee Snider: Quando o Metal vai à Broadway





Dee Snider está lançando um disco baseado em músicas da Broadway. Pode parecer estranho num primeiro momento mas, pensando melhor, faz sentido. Quando criança, ele cantou no coro da igreja e em festas da escola. Com o tempo, fundiu suas qualidades vocais com um visual extravagante e uma postura teatral, que aprimorou no Twisted Sister. Então, quando você o imagina cantando temas de musicais com uma abordagem Heavy Metal, até que não parece estranho.

A noticia de que você estaria lançando um disco chamado Dee Does Broadway surpreendeu muita gente...

Dee Snider: Vou ser totalmente franco: eu agradeço cada comentário a respeito, até os negativos.

Mas você sabe que seus fãs mais ardorosos podem não gostar de vê-lo cantando esse tipo de música.

Dee Snider: Sim, sabia que poderia haver reações negativas, mas eu estava num momento em que queria muito me desafiar e fazer algo que me satisfazesse. E muita gente abraçou a idéia comigo, até mesmo porque eu não tinha um grande orçamento para fazer o disco, ou seja, quem está lá é porque se interessou de verdade pelo projeto.


Você cantou em corais na escola e chegou a participar de competições quando menio, certo?

Dee Snider: Eu cresci cantando em corais, na igreja e na escola, e sempre que tinha alguma festa de talentos participava cantando. Meus pais adoravam musicais de um modeo geral e acho que eles só se sentiram verdadeiramente orgulhosos de mim quando estrelei o musical ‘Rock Of Ages’ na Broadway. Não e brincadeira, é serio! Aos 80 anos de idade eles não conseguiam entender claramente o que é ser cantor de Rock, mas sabem muito bem o que é um musical da Broadway e foi um orgulho para eles ver o nome do filho nos luminosos. Mas o que eu queria dizer é que eles me levaram regulamente para assistir musicais, então eu cresci com isso, não é uma coisa nova para mim. E eu percebia que tinha música muito boa ali, sentia poder daquelas músicas, algo que a gente identifica no Rock, também.

Pelo que sabemos, você trocou algumas mensagens cantadas com Alice Cooper e isso levou você a ter idéia do disco. Foi isso mesmo?

Dee Snider: Exatamente isso! Eu conheço Alice há anos e ele me convidou para cantar num evento beneficente que promove todos os anos na época do Natal. Então, começamos a deixar mensagens um para o outro na secretaria eletrônica para combinar os detalhes, e não sei bem quem começou, acho que foi Alice, mas num determinado momento as mensagens passaram a ser cantadas. Ele deixava um recado e eu respondia (cantando): “Ei, Ali-ce, por favor, ligueeee para miiiiim!” (risos) No fim, eu falei para ele: ‘ Cara, precisamos fazer um disco assim !’
 


Você chegou a propor para Alice que fizessem o disco juntos?

Dee Snider: Na verdade, no meu caso a idéia de fazer um disco assim era apenas pelo fato de eu ser um fã do gênero. Mas ele sempre fez esse gênero teatral, então ele era a opção óbvia para fazer algo assim.

Até onde vocês levaram adiante a idéia de fazerem o disco juntos?

Dee Snider: Chegamos a fazer uma demo para a Música Luck Be A Lady Tonight que ficou muito boa. Mas ai começaram os problemas de agenda. Quando falei com ele novamente sobre assunto, depois de um tempo, ele disse: ‘Que saber? Não sei se isso vai dar pra mim.’ Eu respondi que estava determinado a fazer e ele respondeu ‘Vai firme! Deus abençoe.’

Quando estava trabalhando nas músicas, você já pensava no tipo de arranjo que cada uma recebia?

Dee Snider: a principal questão em relação a isso é que eu não queria que soassem necessariamente como canções de Rock. Você pode colocar guitarras pesadas em musicais como ‘Jesus Christ Superstar’ ou ‘Rocky Horror Show’, não há dificuldade nenhuma nisso. Os temas desses musicais eram Rocks desde o inicio. No meu caso, não. Queria arranjos com orquestra. Queria também que houvesse uma banda de Rock, mas as partes orquestrais iam ser mais importantes.

Queria elementos de Rock e de Música Clássica...

Dee Snider: Queria misturar essas duas coisas! Músicas como the Ballad Of Sweeney eu já imaginava com aqueles arranjos de metais à la Broadway. Conseguia ouvir um baixo rebacão acompanhando essa música. E quando eu comecei a pensar em quem poderia me ajudar a fazer isso, o nome de Bob Kulick vei imediatamente à minha mente. Trabalhei com ele no passado e mais recentemente no disco SIN-atra. Ele é um sujeito que sabe como ninguém misturar orquestrações e uma banda de Rock. Falei com ele, que adorou a idéia. Ele chamou Brett Chassen, que coproduziu o disco e tocou bateria.

Há muitos duetos no disco. Como surgiu essa idéia?

Dee Snider: Na idéia original, esse seria um disco de duetos com Alice Cooper. Como ele não pôde participar, imaginei fazer um disco solo. Mas ai lembrei de minha participação no musical ‘Rock Of Ages’ e fiquei pensando como seria legal se trouxesse alguns cantores da própria Broasway para participar. E como eu estava fazendo parte do grupo da Broadway, ficava tudo mais fácil. A primeira pessoa que convidei foi Bebe Neuwirth (atriz e cantora bastante popular nos EUA). Imaginei como seria legal se ela participasse de Whatever Lola Want e levei a música a ela imaginando que ela pediria um tempo para pensar. Só que ela concordou na hora, ela adorou a música!

Já a música Big Spender tem participação de Cyndi Lauper. Como se deu esse contato?

Dee Snider: Conheço Cyndi Lauper há muito tempo, desde que ela cantava em clubes em Long Island. Não tínhamos intimidade, mas nos conhecíamos. Mandei a música para ela, disse que achava sua voz perfeita para aquele tema e ela respondeu na hora: ‘Pode conta comigo, estou dentro!’

Você estava em todas as sessões que os convidados gravaram?

Dee Snider: Eles são todos de Nova York e eu me senti na obrigação de estar presente em todas as gravações. Minhas partes já estavam todas gravadas, mas você nuca sabe se vai precisar corrigir ou mudar alguma coisa. Então, estava lá em todas as gravações.


Você chegou a conhecer Bobby Darian ou Frank Sinatra?

Dee Snider: Não, infelizmente. Tem um cantor que  eu não colocaria na mesma categoria que eles, mas que também é espetacular, que eu conheci: Barry Manilow foi me assistir em Las Vegas e depois quis me conhecer. Eu estava fazendo um show logo depois dele no Elvis Presley Theater e ele ficou para me ver. Ele dançou o tempo todo... Verdade, não estou brincando! Ele mandava as pessoas levantarem das cadeiras para dançar! Depois do show wlw mW procurou, me deu um beijo no rosto e disse: ‘Poucas pessoas dominam um palco como Elvis fazia. Você é uma delas.’ Então, é aquela historia... Eu não estou atrás da aprovação de artistas como Barry Manilow ou Bebe Neuwirth, mas é ótimo ver que eles o respeitam e que você pode se reconhecido por algo que não seja We’re Not Gonna Take It.

Por falar nisso , o Metal e o Rock em geral mudaram muito desde que você começou a cantar com o Twisted Sister. Quais as principais mudanças, na sua opinião?

Dee Snider: Há muitas bandas ótimas hoje em dia que você não entende como ainda não estouraram. São bandas que tocam em nichos, sempre no underground. Minha filha toca numa banda de Post Hardocore e costuma ir direto a shows do gênero, sempre em pequenos clubes que estão sempre lotados por fãs ávidos. Ai, você se pergunta: Será que esse show um dia vai acontecer num estádio ou num ginásio? Como você transforma essa garotada num novo Metallica? Ai, você fica se perguntando até ponto ainda tem gente realmente interessada num bom Rock... 

POR: Steven Rosen

FONTE: Entrevista publicada originalmente na revista Roadie Creaw n° 161


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